Devaneio conspiracionista sobre transporte público

Eu estava nesses dias pensando, apenas por pensar, que a prefeitura no intuito de defender o bem estar de todos os cidadãos da cidade, promove uma campanha contra o transporte individual da cidade.. Ok, é o que ela faz mesmo, seja para racionalizar o uso do espaço publico, reduzir poluição e acidentes, não importa tanto… Mas essa campanha está nos levando a um monopólio privado do transporte motorizado, e isso me assusta.

A minha cabeça conspiracionista ficou apitando que a orientação da política pública de transportes que seguimos no Brasil seria parte de um plano para monopolizar as rotas motorizadas. Claro que por meio da “obrigação” do uso da rede de transportes públicos, mas que quando paramos para analisar, são na verdade privados …

Tanto o taxi quanto os ônibus são transportes privados disponíveis ao público, certo ? Supostamente seus operadores são escolhidos por meio de licitações honestas, licitações que não tem participação popular em sua concepção, apenas são redigidas por representantes, representantes muitas vezes eleitos por essas cooperativas, sindicatos ou empresas. São concessões que garantem que não haverá concorrência entre empresas, por exemplo, não existem duas empresas de ônibus diferentes operando a mesma linha em SP, aqui é tudo dividido por região. O raciocínio vale também para as linhas privatizadas do metrô.

Quando levamos essa idéia ao extremo, não parece ser nada saudável, obrigados a pegar um transporte sem concorrentes diretos, com preço alto e qualidade duvidosa. Você pode usar transporte público privado, mas não qualquer um, para os fretados tem um monte de restrições de circulação… Tem que ser o transporte privado que elegeu os representantes que escreveram o edital da licitação.

Temos o taxi também, que é caro e tem aquele serviço de primeira que todos conhecem, e tem o Uber, mas Uber não pode, o monopólio dessa modalidade é dos taxistas, que tentam barrar qualquer iniciativa de aumentar o número de alvarás ou serviços modernos…

Pra você que não quer entrar nessa espiral de loucura, sobram o carro, moto e bike.

Tem carro ? Tá na merda, sobram radares, restrições, rodízio e buracos, tem impostos pra pagar, alto índice de roubos por causa dos impostos em cima de peças de reposição e muita vista grossa dos agentes policiais, afinal, todo mundo sabe onde comprar peças de carro e moto baratas sem nota fiscal, certo ? Só a polícia que não.

Tá de moto ? Welcome to hell , o prefeito te odeia, assim como os demais motoristas e o resto da população…. a não ser que você entregue pizzas, todos adoram pizzas. Botar a moto pra rodar lado a lado com carretas na mesma velocidade que elas é equivalente a fazer a transferencia da linha verde para a amarela no pico, só que você é um anão e do seu lado tem um cara de 200 kg. A prefeitura acredita que em nenhuma hipótese o anão vai ser trombado pelo cara de 200kg.

Pra garantir que o cara da moto não vai ter escapatória em uma situação de risco temos radares pistolinha que só fiscalizam motos, foda-se que tem carro tirando racha a 200 km/h na marginal, a pistolinha é pro motoqueiro infrator que roda a 60km/h na faixa de 50km/h. A prefeitura tirou as motofaixas pra garantir que andar de moto é muito perigoso, elevando assim as cotas de acidentes. Ela não quer falar do assunto motofaixa, dissolveu os TGs da sindimoto que debatiam segurança de motociclistas no transito e implantou uma nova política ignorando a segurança dos quase 1 milhão de motociclistas da cidade. Buracos e bueiros abertos são comuns nas vias de São Paulo, mas se o motoqueiro cai no buraco (que ela deveria tapar e não tapa) é por que estava a mais de 50 km/h, alias se estivesse parado não sofreria o acidente.

Na outra ponta você pode usar bicicletas que são um problema para a maioria das pessoas que tem que cruzar a cidade ou pedalar mais de 60 km por dia, o que é bem comum para quem não tem o privilégio de morar nos bairros próximos do centro ( WTF ! as empresas ficam todas no centro !? ). As bikes resolvem bem, seria lindo que quem mora a menos de 15 km do trabalho deixa-se o carro em casa e fosse de bike, mas por preguiça ou por necessidade é assim que é.

Atualmente a maior densidade de transporte público de massa e infra estrutura cicloviária fica no centro, onde as pessoas poderiam resolver sua vida à pé, mas preferem usar outros modais. Sobrando para quem mora na periferia o transporte público ruim, caro, sem concorrência. O Taxi, ruim e caro em pouca quantidade e sem concorrência. Ciclovias desconexas e ruas esburacadas para os ciclistas. Radares e restrições de circulação para carros e motos.

Daqui 20 anos imagino o seguinte cenário:

  • Sistemas de compartilhamento de carros autônomos vão invadir o mundo, mas em São Paulo vamos ter 5 empresas licitadas, cada uma atendendo em uma região sem concorrência direta e fazendo de tudo para impedir novos players.
  • Automoveis não autonomos vão ter muitas restrições para rodar na cidade, para favorecer o sistema público de carros autônomos.
  • Motos serão proibidas de rodar fora dos autodromos
  • Bicicletas continuarão bicicletando e resolvendo a vida de quem não tem que cruzar a cidade com elas
  • Quem tem que cruzar a cidade vai contar com os 85 km de metro, agora 100% privatizado, que teremos em 2035, ele vai ser lotado, sem ar condicionado mas vai ter Wifi

É um bom plano, usar o poder público para subjugar o cidadão a ser obrigado a servir a um monopolio privado de serviços ruins…. parece até a telefonia !

Mas isso deve ser só coisa da minha cabeça

 

Sobre o projeto de lei 4330/2004 – Terceirização

Bom, lendo tudo que achei e me indicaram ( valeu Bertrand!) sobre o projeto das terceirizações cheguei a algumas conclusões, que podem ser precipitadas, obviamente:

Se você exerce uma função “operacional” na empresa em que trabalha, não participa da gerencia de pessoas, nem nas tomadas de decisão, caso essa lei seja aprovada, em 10 anos você vai estar trabalhando em uma empreiteira, ou vai ser um Freelancer, competindo com a empreiteira. Acho muito difícil um Freelancer competir em preço com uma empreiteira, então é muito provavel que você esteja mesmo trabalhando em uma empreiteira. Com contrato pré-definido, escopo e salário variável etc…

O lado bom, é que se sua empreiteira for honesta e não te roubar, além do que tá acordado no contrato, você sempre vai estar trabalhando em algum lugar, mesmo que ganhando menos, e sem muitas pretenções de subir na carreira. Se você é do operacional e quer subir na carreira vai ter que abrir sua própria empreiteira e explorar a mão de obra de quem não tem a mesma visão de empreiteiro.

Se você é um profissional de RH, parabéns, você vai ter trabalho a rodo.

Se você exerce um papel estratégico, vai continuar trabalhando na empresa que está, mas muito provavelmente assumindo responsabilidades como sócio dessa empresa.

Se essa lei passar, acabou o comodismo, por que cada vez mais ficar estagnado vai ser um risco e vai reduzir seu salário, todo mundo que quiser crescer ou pelo menos manter o patamar de seus salários vai ter que empreender, principalmente empreender a própria carreira… A terceirização em massa é a re-apropriação das pessoas de suas próprias carreiras… Quem não foi preparado pra isso vai ter dificuldades em se adaptar a esse novo mundo.

Enfim é isso, é aterrorizante mas tem muitas oportunidades pra quem estiver preparado pra elas. É o fim do emprego, mas não do trabalho.

 

 

http://oglobo.globo.com/economia/terceirizacao-analistas-veem-avancos-no-texto-do-projeto-que-vai-para-votacao-15799463

http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/04/camara-deve-votar-nesta-terca-projeto-que-amplia-terceirizacao.html

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150402_projeto_lei_terceirizacao_ms_lgb

http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2015/04/06/um-golpe-contra-os-trabalhadores-esta-em-curso-no-congresso-nacional/

Como converter ateus

Achei demais, esse cara sintetiza um pouco do viés religioso da minha vida, sofri preconceitos por não ser da religião “certa” durante toda minha vida, atualmente meus pais estão isolados de parte da familia por uma tentativa infantil/imbecil de força-los a ingressar em “na religião”. Sim… 2014 galera, desde 1980 essa merda !

Acho que a primeira vez que fui cobrado pelos primos pra ir até o altar(?) pra me converter eu tinha uns 8 anos, uma mini-bíblia foi o primeiro (e talvez o único) livro que ganhei dos meus tios, até onde me lembro, e acredito que foi o único presente que ganhei que não foi em uma troca de amigo secreto…. Teve uns presentes que vieram anteriormente, umas roupas que ganhei daquela loja Pelicano (tipo loja de 1,99 mas de roupa), que quando vc lava ela esfarela, tá ligado ? Não foram presentes, foram provocações.

Eu fico pensando se a distancia começou aumentar conforme eu fui crescendo e fui me negando a ir até o altar(?) pra me converter… os laços foram ficando cada vez mais fracos, os relacionamentos cada vez mais estranhos…

Quando voltei da índia de onde eu esperava voltar mais espiritualizado do que nunca, não consegui mais ficar passivo sobre o tema … lá eu tive contato com um numero gigantesco de religiões, religiões novas com 150 anos, religiões com 6 mil anos e todas elas muito parecidas, algumas monoteistas, outras politeistas, tinha uma delas que era uma especie de metareligião.

Em quase todas elas também tinham uma pitada de opressão e violencia contra as mulheres, outras diziam que era ok escravizar pessoas de pele escura, outras que era ok tratar pessoas de castas diferentes como animais bla bla bla É tipo pegar o antigo testamento e modificar lugares, culturas e geografia, mas ta tudo lá.

E o resultado dessa desumanização misturada com indiferença foi a extrema miséria que vi por lá, gente bem de vida pulando miseraveis e evitando contato olho a olho pra não se “contaminar” com o karma ruim dos sujeitos. Apesar de tudo era um lugar tranquilo, já que estão todos sob vigilância de seus pares, ser expulso de uma religião lá é coisa séria, pode levar a morte ou ao diploma universitário.

Acho que à partir do momento que pisei em solo brasileiro e comecei a ligar os pontos, já era …. não tinha mais volta. Voltei com tanta coisa na cabeça que não dava mais pra simplesmente aceitar o que tava na minha frente sem questionar.

E como sabemos, se quer arrumar confusão basta assumir uma posição política ou filosófica … se começar a questionar o establishment então ? vixi

O simples fato de questionar é ofensivo, é visto como rebelião é coisa do capeta, uma vez alguém me falou que o excesso de conhecimento e dúvidas são rota direta pro inferno, eu não duvido… minha vida seria mais simples se eu fosse mais burro do que sou.

Sou casado com uma pessoa extremamente religiosa e questionadora, e vou dar aos meus filhos a mesma oportunidade que tive, de poder fazer suas escolhas com liberdade com direito a mudar de idéia free of charges. Mesmo que isso provoque a ira dos parentes e dos coitados.

Como tirei minha habilitação de moto

Pronto, passei no exame prático de moto, mas levou 1 ano desde que pisei na auto escola gostaria de compartilhar minha experiência com vocês.

Meu pai tinha um consorcio de uma mirage EFI com 15 prestações pagas, sem condições de pagar, passou pra mim por um precin camarada, e então fui a auto escola, paguei 350 dilmas pela habilitacao categoria A.

Informei que num passado remoto já tinha começado um processo mas não tive tempo de concluir pois fui contratado para trabalhar em 3 capitais ao mesmo tempo, e passei 1 ano vivendo 1 semana em cada capital.

A auto escola me tranquilizou, disseram que pegariam minha ficha na auto escola antiga e em no máximo 15 dias limpariam meu cadastro antigo do sistema do Detran.

15 dias depois, o dono da auto escola disse que era eu quem deveria pegar a ficha na auto escola antiga. No dia seguinte fui lá e entreguei a ficha na auto escola nova e me pediram mais 15 dias.

Mais 15 dias depois, o dono da auto escola disse que eu estava devendo a ficha, apontei pra ele a gaveta onde minha ficha estava, então ele falou que eu deveria cancelar o processo no detran, perguntei: “como ?”. Ele me pediu para voltar no dia seguinte.

No dia seguinte, ele falou que estava tudo ok, e marcou o pré cadastro. 10 dias depois, estava eu no detran de são paulo portando meus documentos, e após ficar em pé por quase uma hora numa fila (isso pq tinha hora agendada), uma gentil senhora recusou meu RG por estar com o plastiquinho descolado na pontinha do documento. Tive que pagar mais algumas Dilmas de taxa de re-agendamento, para 20 dias depois. Além de pagar por um novo RG.

Sem surpresas finalmente consegui provar pro detran que eu existo, e que sou eu mesmo 🙂 E fui marcar o exame médico. Paguei 112 Dilmas, mas na hora de cadastrar meus dados o sistema do detran tinha meu processo de 2006 ativo… e o mais curioso, é que apesar de todos os dados estarem corretos, meu nome foi trocado por Katiana Araújo Reis, ou algo do tipo.

Voltei na auto escola, e me disseram que era um vírus no sistema do Detran, que eles tinham outros alunos com o mesmo problema. A auto escola só levou 4 meses para resolver o problema… nesse meio tempo, fui contemplado pelo consórcio 🙂

Era hora de fazer o CFC, o dono da auto escola me perguntou onde eu queria fazer, eu disse que em um lugar bom que tivesse aulas de sábado, me deu o telefone de uma na Vila Mariana que custava 120 Dilmas. Mas quem disse que eles tinham aulas de sábado ? Busquei na net e achei uma super famosa no bairro de pinheiros, com aulas aos sábados, custando 180… Foram longos 1 mês e meio, quase todos os sábados e domingos… só não foram mais longos pq o CFC fraudava o esquema das digitais mudando a hora do relógio do PC, e nos dispensando com 1h30 de aula teórica.

Quando fui na auto escola pra marcar o exame teórico, surpresa ! Tinha uma taxa de rematricula de 250 que eu deveria acertar, já que já estava a 6 meses matriculado… Expliquei o lance da Katiana, o dono da auto escola sumiu, e fiquei isolado por um monte de funcionários sem autonomia pra resolver os problemas.

Sem grana pra continuar tive que esperar 1 mês, até o salário cair, paguei a rematricula, e fiz o exame teórico… Yes! Acertei a placa da alfândega!!! Passei, sem novidades.

Chegou o grande momento, as aulas práticas no ibira, mas a atendente me avisou que o esquema funcionava da seguinte forma, eu tinha que botar a digital na auto escola, pegar um busão que levava 30 minutos até o parque, fazer minhas aulas e terminar 30 minutos antes pra colocar a digital novamente.

Ou seja, em 1 hora de aula eu passaria 1 hora no transito e 0 minutos na pista treinando…

Em uma aula de 2 horas passaria 1 hora no transito e 1 hora na pista. Conclusão, só valia a pena fazer aulas de 3 horas, já que teria 2 horas de aula na pista.

Lindo, mas pra auto escola era muito dificil marcar 3 aulas nos horarios que eu podiar faze-las… então levei meses pra cumprir todas as aulas obrigatórias.

Depois de agendar tudo me mandaram procurar o paulinho … e quem disse que ele tava lá ? Minha aula era as 8h00, cheguei lá as 8h30 e o paulinho chegou 9h30 pq teve um problema na sua loja de acessórios para motos. Ele me perguntou se eu já tinha andado de moto, se sabia andar de bike, me mostrou pra que servia os manetes e pedais e nunca mais vi paulinho …

Desse dia em diante, estava por conta, chegava na pista, alguém aleatório me dava uma moto e um capacete, e eu ficava no circuitinho.. quando faltava 30 minutos pra acabar a aula eles me avisavam pra pegar o busão.

Nunca ninguém me explicou nada, quando eu questionava falavam pra achar paulinho … por onde andava paulinho?

Terminei as aulas diurnas, e fui marcar as noturnas, que me disseram que seria num estacionamento na rua de baixo. Tcharam ! Não existiam as aulas…. quando questionei o dono da auto escola ele me disse que elas eram ministradas no parque do ibirapuera a noite… aham … A funcionaria me jogou a real, falou que era só botar a digital nos horários marcados e já era, e que eu poderia fazer essas aulas na pista durante o dia.

Enfim marquei meu exame, e olha quem eu encontrei ! paulinho ! Ele chegou me cobrando uma taxa de 20 reais, disse que a gente só tinha que se preocupar com 3 coisas, viseira, capacete amarrado e farol.

Na hora do exame, peguei uma moto super dificil de domar, ela se recusava a andar devagar e tinha uma embreagem bem sensivel, dei uns trancos no labirinto mas fui perfeito, não queimei linhas, não chutei cones, não deixei a moto morrer, nada disso, até na prancha mantive as rodas em cima da linha. E fui reprovado, na prancha… no dia não entendi.

Esperei passar o trauma e cair o salário do mês, todos os amigos, amigas e parentes me recomendaram pagar o quebra … na real sofri pressão pra pagar o quebra ehhehe. Fui na auto escola 15 dias depois do tempo mínimo estipulado para remarcação da prova, paguei 315 reais pela remarcação mais aulas extras, e fui avisado que em breve teria que pagar uma nova rematricula, outros 250 reais.

Estava tudo muito claro pra mim, eu era uma máquina de dinheiro pro detran e pra auto escola… ainda mais agora, faltando 15 dias pra rematricula e 45 dias do vencimento do exame médico. Fui lá e marquei o meu segundo último exame, não toparia pagar uma nova rematricula naquele lixo de auto escola.

Mentalizei o exame que falhei por semanas, tentando entender o que diabos tinha saído errado naquele exame ridiculo que nao tem que dar seta ou trocar de marcha… não vi nada. Como tinha marcado 3 aulas na vespera da prova, corri pra pista, e quando cheguei lá na verdade era um exame do Detran, e que a auto escola tinha marcado minha aula no horario errado…

Já que estava lá, fiquei perto dos alunos e instrutores de escolas sérias até que ouvi um deles dizer: “Na prancha voces devem acelerar, e nao devem jamais balancar o guidao isso pro examinador significa desequilibrio por mais que vc nao saia da linha”. Matou a charada, foi exatamente o que eu fiz no exame que bombei, fui devagar tentando ao maximo nao deixar a moto sair da linha. Com essa info ganhei meu dia, pratiquei como andar na prancha do jeito certo graças ao professor anonimo.

No dia seguinte, rolou exame, adivinha quem apareceu ? Paulinho ! Cobrou os 20 contos pelos 3 toques de sabedoria (viseira, farol etc…) me deixou treinar na pista antes da prova (da outra vez ele só cobrou, safado), me parabenizou pela prancha perfeita que me viu executar (mas que nao me ensinou a fazer) e sumiu novamente.

No exame deu tudo certo, peguei uma moto mais dócil, fiz o circuito e a prancha sem nenhum erro e fui aprovado, graças ao instrutor de uma outra auto escola. Fui um autodidata, não tive nenhum apoio da auto escola mesmo pagando uma fortuna pelas aulas e rematriculas.

Tá tudo errado, o Detran tá viajando, suas provas não condizem com a realidade do transito, as moto escolas se escoram na inabilidade do Detran se organizar e montaram um esquema onde um unico instrutor pega alunos de mais de 30 auto escolas diferentes e nao tem tempo de ensinar o minimo pra ninguem.
As auto escolas do grupo f*%sh, entregam aos alunos motos com problemas (já pequei uma que o freio falhou repentinamente), e capacetes sem condições de uso.

Pra quem tá começando a tirar carta de moto em SP, recomendo:

1 – compre seu próprio capacete
2 – se o paulinho for seu instrutor, grude nos intrutores de outras moto escolas sérias.
3 – evite aulas aos sábados, é muito cheio, vc leva 15 minutos na fila pra ficar 2 na pista.
4 – coma bem, durma bem, mentalize a pista e seus obstaculos antes das provas.
5 – prepare o bolso meu amigo.

O dia em que o Glade parou, um passeio pelos RADs Opensource

A um ano atras fiz um projeto para o CCJ que envolvia a criação de um sistema de gerenciamento de telecentros, uma versão simplificada de um programa para gerenciar Lan-Houses chamdo Pylan.

O Pylan foi feito em python e gtk, e o primeiro protótipo funcional ficou pronto em 3 semanas, bem rápido, mas como não usei uma ferramenta de RAD para desenhar a interface posso assegurar que pelo menos metade do tempo de coding foi tentando ajustar a interface na mão, principalmente os formulários. Como o projeto tinha tudo para ser um oneshot, isso não era um problema tão grande, já que no futuro poucas mudanças na interface seriam necessárias.

Mas hoje eu vivo uma situação curiosa, apesar de ter minha empresa aberta legalizada e plenamente funcional, sou empregado em tempo integral em outra .A Hyddro foi concebida para ser uma empresa de verdade, e não uma passadora de notas, ela surgiu num vácuo de negociações que surgiu no processo da minha integração ao grupo da empresa em que sou empregado por circunstâncias obtusas, falhas de comunicação, desconfianças e conflito de interesses que são papo de bar, e não pra blog. Ou seja, toco minha empresa fora do horário comercial, e isso cansa, cansa muito e portanto surgiu a necessidade de usar RAD no produtos da empresa.

Surgiram clientes em potencial para uma versão atualizada do Pylan, que bancariam seu desenvolvimento por alguns meses, e um outro cliente que abriria a portas para um novo mercado, o das lan houses e cyber cafes com linux. Um mercado cheio de soluções pela metade, ruins ou emuladas via dosbox, mas que tem um potêncial muito grande se bem trabalhado.

Voltando, ferramentas de RAD permitem desenhar as interfaces dos programas de forma independente do código, tudo clicando e arrastando, depois é só escrever as classes e os métodos para se conecetar com a interface, reduzindo drásticamente o tempo de desenvolvimento, o que pra mim é fundamental já que não vou conseguit manter um emprego integral e tocar meu negócio sem isso…

No linux existem algumas ferramentas desse tipo:

  • Netbeans possui uma ferramenta de RAD integrada ao IDE, para java.
  • QTDesigner, cria arquivos .ui , que podem ser aproveitados por programas feitos em C++, python, ruby, java, C#  usando QT.
  • Glade, cria arquivos xml para biblioteca GTK, para liguagem C/C++, python, ruby, java etc…
  • wxGlade, cria código em python, c++, perl , lisp ou um xml que pode ser importado pela aplicação.
  • Mono, cria interfaces para qualquer liguagem integrada ao CLR/.NET, C#, IronPython, IronRuby etc…

Usei várias madrugadas para desenvolver protótipos em cada uma dessas soluções, considerando minhas necessidades:

  • Multiplataforma
  • Desempenho decente em Windows e Mac
  • Visualmente bem integrado com a plataforma que está rodando
  • Fácil de instalar, sem muitas dependências
  • Velocidade no desenvolvimento
  • Desenvolvimento Ágil

Mono


O primeiro protótipo que desenvolvi foi em Mono, e digo que foi a experiência mais fantástica em desenvolvimento desktop que já tive !

O monodevelop, não fica no seu caminho, ele é realmente útil, simples de usar e intuitivo, C# é bem parecido com Java, possui bibliotecas bem resolvidas e uma boa compatibilidade com bibliotecas livres desenvolvidas para .NET (sim isso existe).

É Super multiplataforma, rodou bem rápido no Linux, Windows e Mac, se integrou visualmente muito bem no Linux e no Windows… no Mac ficou bem estranho. O ubuntu já vem com mono instalado, no windows tive que instalar o GTK#, no mac tive que instalar o mono e o GTK#, mas em todos os casos foi bem tranquila as instações e o tempo de download das bibliotecas.

Existem bibliotecas como a NUnit para testes, e bons depuradores e profilers integrados no monodevelop.

Levei pouco mais que 4 horas para terminar o protótipo, simplesmente fantástico.

Mas o mono tem um problema sério, o projeto é constantemente trolado pela microsoft e pela comunidade opensource, só pra se ter uma idéia existem milhares de tutoriais e scripts para tornar sua distro mono-free. Tem até distro que seu único diferencial é não ter mono !

Netbeans

No netbeans tive uma experiência de produtividade parecida com a do Mono, com a vantagem de usar swing, não tive que instalar nada na hora do deploy, bastou apenas executar o Jar. O Swing integra nativamente o ‘look’ da aplicação, mas não o ‘feel’, o programa ficou estranho em todos os sistemas, e ficou lento … muito lento. Lendo a respeito, a galera diz que o swing não recebe atenção dos desenvolvedores do java a pelo menos 5 anos, deve ser verdade.

Por mais que eu tenha gostado o desempenho e a pobreza de widgets o tirou da jogada.

QTDesigner

A qualidade gráfica e a riqueza de widgets é fenomenal, outstanding, mas todo seu potencial só é atingido usando C++, eu queria muito usar python, não que não seja possível, mas tenho minhas dúvidas já que o pyQT é desenvolvido por uma empresa independente da nokia.

Outra coisa que pega é que o PyQT exige pagamento de licença no caso de softwares comerciais, o software é livre, mas vou receber pra melhora-lo, tenho muitas dúvidas.

WXGlade

Bem rápido de desenvolver, tem muitos widgets legais, é comparavel como  QT nesse ponto, a portabilidade é fantástica, basta instalar um pacotinho e o sistema funciona como se fosse nativo. É uma ótima opção, muito bem documentado, mas possui bugs e isso é um tanto preocupante.

Glade

Foi minha primeira opção, a ferramenta é muito boa, da pra integrar com o pygtk tranquilamente. O grande problema é que para rodar pygtk no windows é necessária a instalação de meia dúzia de pacotes, além do python claro, o que incha o sistema. No Mac roda sob o X11 o que não é legal. Apesar de tudo, ele é melhor integrado com o GNOME e tem uma qualidade superior aos outros, o Pylan é feito em PyGTK e funciona muito bem.

Meu drama é que após redesenhar toda interface do pylan no glade o programa travou, e não consegue mais abrir o xml gerado… Fiquei na mão, abri um bug report, mas perdi a confiança no sistema.

Agora estou aqui, dividido, com uma deadline, estou bastante inclinado a usar WX com python ou QT com C++, e agora ?