Minha aposta: O ubuntu vai virar sinônimo de linux no desktop.

Para resumir esse post, Ubuntu é minha nova recomendação para distribuição linux para novatos. Agora vou explicar o porquê.

Minha história com o Ubuntu é antiga, a primeira versão que usei foi a versão 5.04, quando eu trabalhava no ministério da cultura pesquisando por uma distro multimídia, estilo a falecida distro demudi. Como a maior parte das distros multimídia ou eram velhas demais ou não atendiam os requisitos desenvolvi uma distro multimídia chamada moobuntu baseada no ubuntu, ainda em 2005 ( sim, mubuntu e ubuntustudio só vieram depois 😛 ).

Mas naqueles tempos o ubuntu não era uma boa distro, apesar do hype e da grana do astronauta o ubuntu era uma distro bugada, instável , mas apostei nela como base sabendo que não era uma distro passageira, e tendo certeza que sua comunidade cresceria muito rápido, e claro, pelas cabeças por trás do projeto e seus hackers compententes, com quem tive a oportunidade de trabalhar posteriormente.

Fui inclusive convidado a entrar na recém formada equipe do ubuntu-studio pelo próprio Mark, mas por problemas de visto não consegui ir para a reunião para defender que a distro deveria ser um Live-CD e não apenas um repositório como os colegas norte-americanos queriam. Não concordava com os rumos da conversa e saí. Continuei com o meu trampo no Minc, sendo trolado por um colega de trabalho que era contra o ubuntu ( e pró slackware e/ou debian ), hoje eu vejo que esse colega era apenas idiota e que o debian e o slackware realmente não eram a melhor escolha para o projeto na época, assim como não são hoje, e provavelmente não serão no futuro.

Depois dessa fase nunca mais trabalhei fulltime com a distro, até por que abandonei definitivamente todas as minhas atividades como distromaker , passei a observar o ubuntu de longe, apenas como usuário, e com as zicas que os novatos me traziam pra solucionar. Passei a comparar o ubuntu com outras distros de pontos de vista que não tem cabimento, e hoje finalmente acredito que o ubuntu chegou onde eu acreditava que ele chegaria em 2007 😛

Testei todas as versões lançadas, em todas erros bizarros, bugs inexplicaveis e configurações obscuras me faziam não ter confiança em recomendar a distro para meu irmão, namorada ou minha mãe, como eu fazia até então com o opensuse por exemplo. Na época , não era possível configurar uma conexão ADSL de forma gráfica por exemplo, apesar da propaganda super-agressiva da Canonical sobre sua facilidade de uso.

Outro ponto crítico, sempre foi a baixa taxa de retorno de código para projetos como Xorg e o próprio Kernel do linux, diferente de distros como o Fedora que contribuem com muito código para o Gnome, Xorg, Kernel, KDE, firefox etc…

Mas a grande sacada do ubuntu é justamente não entrar na confusão desses projetos mais básicos, já que eles são mantidos por empresas com interesses diferentes do desktop. Tornando o Ubuntu e o Mandriva praticamente as únicas empresas linux focadas no desktop, sem segundas intenções. O mandriva sempre foi bancado pelos seus usuários por meio de uma espécie de assinatura. O Ubuntu que sempre foi financiado pelas contribuições milionárias do Mark, e para mim, seu futuro seria decidido pela forma como seus dirigentes escolheriam para gerar renda.
Eles olharam para o iTunes, os serviços de cloud, e encontraram seu filão, o que pra mim, foi uma escolha, mais que acertada, pois quanto melhor o desktop ubuntu se tornar , mais e mais pessoas vão usar os serviços de cloud, e comprar músicas de sua loja, perfeito !

Somado ao fato de que os caras encontraram seu nicho, somado a qualidade dos seus últimos 2 releases, 9.04 e 9.10, fiquei ansioso pelo 10.04 a versão LTS da distro, e minhas expectativas não foram frustradas, o lançamento foi o melhor que já usei. Diferente do fedora onde a maior parte das revoluções acontecem por baixo do capô, no ubuntu elas acontecem na usabilidade e conforto. Pouco a pouco o ubuntu fez seu caminho pelo campo minado dos desktops, primeiro criou todo um ecosistema unindo os usuários ubuntu em uma rede-social para melhoria da qualidades dos softwares (launchpad), reforçou e padronizou a forma como os liveCDs são feitos, (hoje todas as distros tem versão Live), fez seu próprio sistema de buscas ( no lugar do beagle ), criou um sistema único de notificações, abandonou os scripts padrão SysV apostando etc… etc… São mudanças importantes e que fazem sentido para o usuário final. O Fedora por exemplo, sempre traz revoluções do tipo, novo sistema de virtualização integrado no kernel, novo subsistema de depuração de pacotes TCP/IP, nova API de comunicação para drivers de vídeo … mas o desktop, tá sempre na mão dos próprios desenvolvedores do aplicativo, e buscar por aquele appzinho legal pra legendar o seu vídeo normalmente te leva a um repositório mantido pela comunidade.

Quando vi que após 4 dias não consegui completar minha instalação do Fedora 13 porque o maior e melhor repositório da comunidade estava fora eu me toquei de como o Fedora está na direção errada (no quesito desktop ), já que todos os pacotes importantes para um desktop moderno não fazem parte da distro, mas dos repositórios da comunidade sem suporte da matriz (RedHat) e portanto sem mirrors ! Fora as decisões do upstream de dropar aquele aplicativo desktop legal por falta de mantenedores, ou simplesmente lançar versões do Xorg incompativeis com os drivers de algumas placas de vídeo, e jogar a responsabilidade para o usuário, dizendo que este deve comprar apenas placas de vídeo com suporte a drivers livres.

O opensuse é bem mais parecido com o ubuntu, não marginaliza o usuário desktop como o fedora, mas por ter uma pegada mais enterprise toma algumas decisões puramente comerciais, como a adoção em massa de aplicativos em mono, graças a um acordo com a Microsoft. Nesse ponto o ubuntu é mais próximo das comunidades.

Está claro para mim, o Ubuntu vai ser a única referência para linux no desktop, relevante nos próximos anos, vai ser o linux de massa que aguardo ver desde 2000, se um dia existir o tal “Ano do linux” vai ser graças ao trabalho de formiguinha que tem feito até aqui.

Esse é um post que sempre quis escrever desde 2005, mas só foi possível após o magnífico trabalho na versão 10.04, parabéns a todos envolvidos.

8 thoughts on “Minha aposta: O ubuntu vai virar sinônimo de linux no desktop.

  1. liquuid Post author

    Sorry, ID , ubuntu não é pra você, nem pra mim … Eu ainda consigo fazer otimizações mais agressivas manualmente em um gentoo ou sabayon. Eu particularmente achei o Ubuntu extremamente lento quando comparado com meu gentoo ou mesmo o fedora. A grande pegada é pra quem não sabe nada, ou tá vindo do windows.

    Sobre os repos, dessa vez não tive que usar pacotes de repositórios não oficiais. Todas as outras vezes que tive que faze-lo sofri horrores com problemas de dependencias bizarras… acho que vale mais a pena pegar o source e montar o pacote na mão.

  2. id

    Launchpad realmente foi um treco que me salvou a vida durante a instalação dos softwares nas maquinas do Sesc na sexta, o problema é que aqueles repositórios dependem de chave publica gerada online pelo servidor keyserver.ubuntu.com e que por acaso estava offline em todos os dias que tentei acessá-lo para adicionar o repositório.

    Isso não chegou a ser problema para mim, instalei os pacotes de modo forçado. Porém o usuário comum não conseguiria fazer o mesmo. Graças a isso, devo concordar que falta uma ferramenta gráfica para adicionar novos repositórios de forma simplificada na maioria das distros. (exceção do OpenSuSE)

    Ainda não vi como está o ubuntu 10.04. Vou testar ele no meu pc depois que passar pela experiência de instalar gentoo.

  3. analyser

    Não concordo com você em chamar a galera do MinC a época de trolls/idiotas pq não concordaram em adotar o ubuntu como distro principal para o projeto, haja visto que o ubuntu naquela época era uma merda bugada como vc bem disse no ínicio do post.

    Hoje uso ubuntu em todos os meus desktops, e fala isso numa boa, pois não tenho mais tempo para ficar acariciando computador, tem que funcionar e pronto, o objetivo não é mais estudar linux e sim engenharia.

    Mas uso, pq o ubuntu evoluiu d+ nesses últimos 5 anos, se fosse aquela porcaria da época do minc, jamais utilizaria/recomendaria a ninguém.

  4. liquuid Post author

    Me expressei mal, na verdade era apenas um troll idiota … que levei a sério, sem perceber que ele era um troll idiota. Levei 4 anos pra perceber que jamais deveria ter levado em conta as opiniões dele… paciência.

    Parando pra analizar, se hoje eu fosse montar a mesma distro multimidia, usando os mesmos softwares que a galera pedia, ainda seria uma droga… Um grande problema ali era que os programas não funcionavam, e não funcionavam pq eram ruins. Acho que os bugs da distro eram ( no gnome, kernel…) suportaveis, afinal o povo do áudio e do gráfico conseguiu trabalhar sem grandes dificuldades.

  5. Fernando

    As versões 9.10 e 10.04 do Ubuntu não rodaram bem em meu laptop, apresentaram uns bugs bem estranhos.
    Já a 10.10, essa sim esta show, perfeita para o usuário comum como eu, que me mantenho online para auxiliar os clientes de minha empresa, por meio de e-mails, msn, skype, gtalk e mídias sociais.

  6. liquuid Post author

    Bugs são o maior problema do ubuntu, depende muito da combinação de hardware, drivers e softwares … Alguns sofrem mais outros menos, mas todos sofrem 🙂

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