Quer um conselho ? Troque de distro !

Eu custumo recomendar que pessoas interessadas em usar linux, usar mesmo e não ser apenas uma vítima do ubuntu, devem explorar distribuições mais cruas pra entender como as coisas realmente funcionam. Depois dessa experiência traumática, os usuários costumam amadurecer bastante, pois ela percebe que realmente o linux (unices em geral) não tem nada semelhante ao windows, e que os programas gráficos que usam são pura ilusão.
Sabendo disso normalmente as pessoas passam a depender menos de scripts automaticos de configuração e frontends, erram menos , tem acesso pleno as novas tecnologias que estão implementadas por baixo do capô do linux mas que não tem uma GUI pra disponibilizar isso pra todo mundo.
Eu recomendo tb nunca usar a mesma distro por mais de 1 ano, surfe entre as melhores versões de cada distro ! Se o ubuntu 9.4 é ruim, tente outra distro ! Não faltam opções.

Vou tentar descrever como eu enchergo esse “mercado” de distros linux de acordo com niveis de dificuldade de configuração.

Mamão com açucar :

OpenSuse — Pra quem não quer abrir o terminal, pode remover o terminal se quiser, todas as configurações tem interface gráfica até as mais complicadas como configurações do kernel, dual head, placa de captura, vpn etc…
Mandriva — Pra quem não quer abrir o terminal, da pra configurar quase tudo sem terminal.
Fedora — Pra coisas de baixo nível precisa de terminal e algum conhecimento
Ubuntu — Pra coisas de baixo nível precisa de terminal , algumas configurações de rede por exemplo.

Intermediarias (pra quem não tem medo do terminal):

Debian — Suas ferramentas de configuração tem GUI principalmente em modo texto
slackware — Não tem ferramentas de configuração mas tem as configurações bem documentadas
ForeSight — Distro pra quem gosta de GNOME, é tão simples de configurar quanto o gnome, mas não pense que ele vai configurar sua WiFi sozinho.
Archlinux — Não tem ferramentas de configuração nem configurações bem documentadas, mas tem uma comunidade forte e ativa.

Para adeptos:

Gentoo — Instalação não é trivial, exige muita leitura e sangue frio.
Sabayon — É como o gentoo mas tem um instalador simples e vem pré-configurado, mas qualquer necessidade extra é como no gentoo, muita leitura e sangue de barata.
Gobolinux — Distro brasileira que quebra a FileSystem Hierachy , e permite multiplas versões do mesmo pacote, além de todo o conteúdo de um pacote ser instalado em um único diretório… todo o resto é tosco como um gentoo.

Para quem realmente gosta da coisa :

LFS – Linux From Scratch , é um livro que te ensina a como fazer sua própria distro do Zero, compilando cada parte do sistema à partir do source, sem sistema de pacotes, sem configuradores sem nada do zero… Quem gosta de linux deveria instalar essa distro pelo menos uma vez na vida.

Eu passei por todas essas fases, mas não comecei pelas distros mamão com açucar, isso não existia na minha época 🙁 Recomendo uma progressão, saindo de distros hiper fáceis, passando por mais complicadas, e se ficar fácil vá para as intermediárias, se ficar fácil vá para a dos adeptos, quando dominar tente o LFS … Depois de passar pelo LFS não vai mais fazer diferença a distro que vc vai usar, todas se tornam iguais. Afinal vc será capaz de destruir e reconstruir qualquer distro, transformar debian em fedora, e ubuntu em gentoo, ou ainda fundir distribuições diferentes.

Depois o lance é estudar o kernel do linux, e desenvolver seu próprio kernel de sistema operacional 🙂

bill-gates-linux

Hoje eu uso o opendebiansuse , fundi o opensuse e o debian pq não vou aprender nada de novo configurando o X na mão (só vou perder tempo) e o debian pq preciso desenvolver coisas … Mas insisto, se vc se interessa por linux, corte a corda, e saia do lugar comum.

10 thoughts on “Quer um conselho ? Troque de distro !

  1. wille

    passei um ano e alguns meses utilizando slackware. aprendi bastante. recompilei kernel pela primeira vez… e quebrei o sistema ao fazer atualização de uma versão pra outra por 2 vezes hehehe

    ps. 1: gobolinux tem nome de diretorios começando em maiuscula. descarta!

    ps 2: depois de conhecer o arch, só aceito distros rolling release… quero tudo na última versão.

  2. Freeman

    E é claro, aventurar-se noutras arquiteturas.
    Esse é o passo antes de desenvolver o próprio kernel.
    Os novos consoles de videogame são uma ótima.
    Tenho linux no meu wii (ppc) mas estava pensando em comprar um ps3. O processamento dele é 30 vezes maior que a de um super computador convencional, o processador dele é ppc.
    Depois, arm com mamoma, maemo.
    E por último, quem sabe, desenvolver o próprio kernel e quem sabe até uma arquitetura nanotecnológica completamente nova e revolucionária. (mimimimimi)

  3. liquuid Post author

    Viu, o PS3 é uma caixa preta, o linux que roda nele não tem acesso ao hardware físico ,mas a uma camada controlada por um sistema de virtualização do CELL … No fim , não da nem pra desenvolver driver por engenharia reversa, tudo fica apenas na mão da sony que só libera migalhas e poucas especificações.

    Infelizmente por tudo que eu li PS3 não é pra se hackear … o Otávio http://id.liquuid.me sabe mais disso.

    Eu queria mesmo era uma workstation com CELL, pena que só tem no PS3 por enquanto… O CELL para workstations se chama Power6 e custa fábulas de dinheiro… ao contrário do CELL , triste.

  4. Chris Benseler

    Quando fui tentar uma nova distro, no meu PC antigo, descobri que os dois HDs estão zuados!
    Preciso comprar pelo menos um novo, pra voltar a usar esse PC antigo como teste…

  5. Léo

    cara, eu queria saber mais sobre esse flerte entre a microsoft e o Suse… O que você sabe (e acha) a respeito?

  6. liquuid Post author

    Que eu saiba as duas são concorrentes na área de desktops e servidores corporativos . A Novell tem um acordo com a microsoft , onde ela reconhece que o linux infringe certas patentes da microsoft.

    A Novell também é uma entusiasta de tecnologias que integram serviços opensource com serviços microsoft, e banca salarios de vários programadores e apoia o desenvolvimento de programas nesse sentido. O mais famoso de todos é o MONO .

    A Novell vem sistematicamente enfiando goela abaixo aplicativos e bibliotecas MONO no opensuse, o que deixa boa parte da comunidade com um pé atrás.

    Eu particularmente não gosto do mono por achar ele lento e bugado, por outro lado reconheço que ele oferece ao programador vantagens quando comparadado com o C/C++ e o Java.
    Gosto muito do opensuse também, acho ela uma das distros mais completas e bem feitas do mercado.

    Não vejo como nocivo o pacto da Novell com a microsoft, pq todo o software distribuido no opensuse é tão livre quanto qualquer outra distro… alias o Gnome, Mono, Banshee etc… tem o mesmo código de qualquer outra distro.

    Entendo a birra por parte da comunidade, mas não compartilho dessas preocupações.

  7. Pedro

    “Puta de uma idiotice”. É o que eu penso sobre essas pessoas que são preconceituosas com o Ubuntu por exemplo…

    Acho que não tem nada a ver ficar discriminando, falando mal isso e aquilo. Porra, larga de ser idiota mano, tem que respeitar a distro seja ela como for, cada um escolhe aquela que lhe agrada mais.

    Pessoas como vc “pseudo-insatisfeitas com tudo” é que fodem as coisas, temos que chamar as pessoas pra usar Linux e não ficar criticando uma distribuição. Não tenho nada contra criticar, se a ditro tem alguma coisa que lhe desagrada fale, mas ficar “denegrindo” a imagem da distro é apelação.

    Uso várias distros entre elas Ubuntu, já tive dor de cabeça com muitas distros, inclusive com o Ubuntu e nem por isso fico “metendo o pau” no sistema.

    Fikdik tá?

  8. liquuid Post author

    Eu também uso ubuntu, uso mac, fedora , sabayon e gentoo. Todos sistemas tem seus problemas, burrice não é não enchergar isso, é se conformar com a situação.

    A outra parte do seu comentário, eu não entendi… tá meio fora do contexto… Eu não te conheço, mas quero te conhecer ,e quero que vc me conheça pra te mostrar que o que vc escreveu sobre mim não faz o menor sentido.

  9. the dsc

    Eu acho que mais prático do que esse conselho é a pessoa só entender isso de vez. Tem gente que fica pulando de distro-skin em distro-skin sem nunca entender nada. Já vi num fórum um cara meio com esse comportamento, achava que era um entusiasta, abria tópicos com coisas como “sagui linux – o novo linux educacional do Brasil”, e se perguntava se seria bom. E eu pensando, “pô, deve ser um debian ou ubuntu com um tema de sagui e uma ou outra coisinha que poderiam ter distribuído separadamente, só tendo repositórios para esses pacotes, sem precisar tentar fazer uma distribuição inteira”. Mas anos/meses mais tarde, o mesmo cara está todo revoltado com linux fazendo reclamações como que é mais complicado instalar programas — citando coisas como que o pacote de uma distribuição não serve em outra, o que me passa a impressão de que em vez de procurar/instalar programas do “modo linux”, usar o que está disponível na distribuição ou compilar vanilla, ele faz no “modo windows”, caça na internet, baixa independentemente de onde quer que tenha encontrado, e espera que funcione.

    Não que tenha qualquer coisa tremendamente errada com isso, só acho que melhor que ser um “distro hopper” compulsivo seria ter umas três partições root para diferentes distros, adotando uma como a “principal” e de vez em quando experimentando outras, mas sem chegar a propriamente “trocar” de distro a menos que chegue no ponto em que diga, “putz, mas esta distro é muito melhor que a outra”. Mas ainda assim, deixe a anterior lá… caso tenha sido uma impressão enganada.

    Isso é principalmente relevante para quem não gosta muito de como as DEs e programas vêm “de fábrica”, e tem sempre que ficar reconfigurando até conseguir deixar como gosta. Pode no mínimo copiar as configurações de usuário e fazer as adaptações necessárias, ou até se aventurar a tentar usar a mesma pasta home em duas distribuições diferentes (complicado e provavelmente não compensa).

    Mas a principal vantagem de uma certa “fidelidade” mesmo que relativamente arbitrária, é que provavelmente aumenta as chances de se familiarizar com uma distro ao menos, em vez de ficar sempre no estado de “choque de transição”, ainda que menor do que de windows para linux. Acho que para um iniciante, mais do que fazer aprender, a tendência a fazer pensar que os trezentos e tantos reais do windows não são lá tanta coisa assim.

    E se a questão é aprender a ser meio independente dos programas de configuração por interface gráfica, bem, acho que isso independe de existirem tais programas disponíveis na distro. Que eu saiba, as configurações são sempre acessíveis, só precisa de um editor de texto e disposição de entender. Agora, mudando de distro em distro vai encontrar diferenças mesmo em como são armazenadas as configurações (como o sistema de iniciliazação do debian versus o do arch, por exemplo), então acho meio falso esse aprendizado “universal” menos que se esteja falando de de fato conseguir memorizar as peculiaridades de cada distribuição, o que deve ser algo meio raro. Certamente não é algo que eu consiga fazer.

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